Depois de quase 10 anos retorno ao Blog pois, como era previsto, todos os efeitos dessa experiência não se passaram, e nunca irão. Sou alegre com isso.
Quando fiz o último post deste Blog com a ajuda de minha mãe, eu estava prestes a fazer 12 anos, hoje estou quase com 21. Apesar de anos terem passado, anos estes muito importantes na construção dos seres que somos, toda a minha curiosidade, amor e alegria por viajar que existia na Bruna Itinerante de 2014, ainda está aqui, e pretendo ir com tudo isso até o último momento desta vida e, por isso, acho importante registrar aqui alguns marcos das coisas que aconteceram nestes últimos tempos.
Ao final de toda esta viagem retratada no Blog, (mais uma vez) a minha mãe apareceu com uma pergunta. Daquelas perguntas dela, que nunca são simples e que de alguma forma, elas sempre têm a capacidade de mudar mais do que o que posso imaginar no momento em que a ouço. A pergunta era: "Em qual cidade do Brasil, das que a gente conheceu, você gostaria de morar por um ano?".
Ouvi isso aos 11 anos e aos 11 anos escolhi: Diamantina - Minas Gerais - Brasil. Por quê? Só o tempo foi capaz de me dar essa resposta.
Hoje já sei qual é a resposta mas antes, por mais que amasse de fato essa cidade, me questionava honestamente: Por quê não escolhi uma cidade perto do mar? Entendi, depois, que as cachoeiras que viriam para me responder.
Nos mudamos pra Diamantina e ao invés de um ano, minha mãe morou por seis e eu ainda fiquei por mais um por conta própria, totalizando sete anos. Neste tempo conheci as pessoas mais incríveis que pude, e sou grata por todas as relações humanas e não humanas construídas nessa cidade, além disso, a paisagem me disse muita coisa, a Serra do Espinhaço conversava comigo, e amadureceu comigo. Conforme eu ia crescendo, talvez por percepção, a Serra ia se tornando maior e mais linda, imponente, forte. Me sentia segura próxima à ela. Conheci todos os cantos que pude, mesmo depois da viagem ainda tinham muitas coisas pra conhecer, e mesmo depois dos sete anos de moradia, ainda tem. Enfim, a paixão era grande e nunca foi platônica, era recíproca.
Quando começaram as demandas com relação aos vestibulares e universidades, não estava muito preocupada com isso, sabia que queria fazer mas não sabia o que queria fazer. Engraçado... Era tão óbvio o tempo todo.
Estava distante da minha mãe mas estava feliz na Terra Dos Diamantes então pensei em ficar no meio do caminho, escolher uma Universidade que ficasse próxima de Diamantina e também de São Paulo, entretanto, desde muito cedo aprendi que o meio do caminho não funciona, ou fica no mesmo lugar ou se joga na estrada. Sempre fui mais adepta à segunda opção. Mas ainda estava confusa.
Pulei o Exame Nacional Do Ensino Médio (ENEM) por um ano e o fiz no próximo, independente de onde, o meu objetivo era ingressar em uma Universidade Pública através do Sistema de Seleção Unificada (SISU). As opções de escolhas de curso foram muitas: Jornalismo, Biologia, Psicologia, até Arquitetura cogitei. Mas desde essa viagem contida nesse Blog, meu desejo sempre foi viajar cada vez mais, e escolhi aquilo que podia me ensinar o que ver, o que buscar na paisagem, o que poderia me dizer como entender, pelo menos em parte, o Planeta Terra. Aquilo que poderia me explicar o por quê as coisas estão aonde elas estão. Escolhi a Geografia, e é possível que das várias escolhas que já fiz, essa tenha sido a melhor da minha vida.
Ingressei na Universidade de São Paulo aos 18 anos e é ali, em 2022, que a nova aventura começa! Exigindo alguns esforços como a despedida, terror de muitos e rotina de outros, me joguei na estrada mais uma vez, e agora era para novamente começar uma nova história. Confesso que cheguei sem saber o que gostaria de estudar, fui aberta aos novos conhecimentos e acontecimentos, porém, mais uma vez repito: Engraçado... Era tão óbvio o tempo todo.
A paixão pela Serra do Espinhaço, por Diamantina e pela Geografia era e ainda é muita, eu só precisava encontrar aquilo que fizesse a conexão entre esses três. O primeiro ano na Faculdade não foi fácil, não sentia que era exatamente aquilo, e sempre precisava voltar para Diamantina para colocar as coisas no lugar. Até que um tempo depois, algumas matérias começaram a se mostrar mais interessantes e capazes de fazer essa conexão. Porém foi a Climatologia - "Ciência que desvenda os mistérios do clima, revelando padrões e tendências que moldam nosso planeta, nos proporcionando uma compreensão profunda do ambiente em que vivemos, possibilitando previsões de mudanças futuras, e conteúdo necessário para enfrentar os desafios das mudanças climáticas." - que me convenceu que eu estava no lugar certo e que eu poderia preservar aquilo que amo.
Durante minha viagem em 2014, encontrei muitas fontes de inspiração que me fizeram amar profundamente o país em que vivo. Sempre senti que tenho um propósito neste mundo e que estou exatamente onde devo estar, no momento certo. Cada escolha que fiz ao longo do caminho me trouxe até aqui, e não é possível imaginar ter tomado decisões diferentes. Como Paulo Coelho descreve, essa é a minha Lenda Pessoal. Estou aqui por causa do Espinhaço.
Essa jornada despertou em mim uma mistura de medo, alegria, ansiedade, curiosidade e, acima de tudo, amor. Retornar a este Blog após tantos anos reflete esses sentimentos. Alguns dos mistérios da vida só serão desvendados com o tempo, mas estou segura e confiante neste processo.
É bom estar de volta! 😉
Serra do Espinhaço - 2014. Foto: C. R. Malaquias
