sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

São Paulo: Secretário Municipal de Educação

Evitamos todas as Capitais dos Estados por onde passamos por um único motivo: moramos na maior Capital do país. E, segundo minha mãe, a vida nessas cidades não muda muito. Somos todos convocados a trabalhar (e estudar) o dia inteiro para manter a boa situação daqueles que nos governam. Temos desde pequenos, a infeliz missão (e seja em que localidade for) de sermos preparados para sustentar a ganância alheia.

Mas foi chegando em São Paulo que entendi o que isso significa. Por mais que haja história, museus, monumentos, cultura e recursos nessa cidade onde cresci, mais fica evidente a patologia social.

Faço questão de dar um exemplo. 

Há algum tempo atrás, vimos no noticiário que o Sr. Gabriel Chalita, então candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, foi denunciado por reformar uma cobertura no bairro de Higienópolis com dinheiro público e mão-de-obra pública, além de ser "desmascarado" como escritor, visto que foi descoberto que seus livros foram escritos por servidores. 

Humm, isso me chamou a atenção porque a tal cobertura fica na rua da minha escola em São Paulo, o Colégio Sion, onde passamos todos os dias e identificamos o prédio. E quanto aos livros, me marcou, porque era direcionado ao público infanto-juvenil.

Agora chegamos de viagem e o Sr. Gabriel Chalita é nomeado Secretário Municipal de Educação. Em uma cidade, veja bem, que minha mãe jamais teria coragem de me matricular em uma escola pública. E não apenas pela má qualidade do ensino, mas, principalmente, pela falta de segurança nas escolas.

Então, reflito, se o que falta para o Brasil e para os brasileiros é Educação, acho que que precisamos ir mais longe, avaliar melhor a situação e termos um senso mais crítico.

Porque a Educação nas escolas, sejam elas públicas ou privadas, continuam proporcionando votos questionáveis e acesso livre a políticos de índole duvidosa ao Governo das Cidades, Estados e também do País. 

Isso sim é falta de segurança!

Nesse caso, acho que a Educação Nacional, inclusive me valendo de minha experiência com os professores e diretores nas escolas por onde passei, está contribuindo para um "des-serviço" à população brasileira. Seja nos conteúdos, seja nos modelos, seja nos resultados (vide a nota 0 nas redações).

Ah, quanto ao que chamei de "patologia social", quero esclarecer que não me refiro ao Sr. Gabriel Chalita, que, aliás, não foi devidamente investigado, não foi devidamente condenado, não foi devidamente informado à população sobre a apuração dos fatos.

Refiro-me, antes, à própria sociedade, que como se estivesse viva, segue sepultada, todos os dias, para o seu trabalho escravo, com a mais antiga, tradicional e nobre das missões: a de sustentar ladrões.



























terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Férias no Sul do Brasil

Já que passei de ano e mereço umas férias boas mesmo, quero comemorar minha estada no mês de dezembro inteiro na Região Sul do Brasil.

A primeira coisa que eu fiz chegando aqui foi aprender como tomar o Chimarrão.
Gente, essa coisa é cultural mesmo, está por todos os lados.
Até em Farmácia você encontra a erva-mate.

Eu experimentei em Ametista do Sul.
Aprendi a fazer e a beber em São Miguel das Missões.
E me armei das coisas gaucheiras em Bento Gonçalves.

Agora tenho cuia, bomba, mate e tudo mais pra levar isso comigo pra sempre.
Também levo muitas histórias, sotaques e a roda do "Chima" comigo.
Seja lá pra onde eu for nesse mundo.

Oxente que trem bão tchê! 




O Ano Passou...

Venho a todos comunicar publicamente que PASSEI DE ANO.

Ai que felicidade, foram muitos desafios e muita estrada, mas superei tudo conforme o ano foi passando. Tenho muita coisa pra contar, dividir e muito mais ainda pra descobrir. 

O que posso adiantar é que, por mim, eu não voltava mais pra viver em São Paulo.
Eu nem queria parar mais de viajar.
Eu seria itinerante pra sempre.

Não sei como vai ser a vida em 2015, mas 2014 eu nunca mais vou esquecer.

Termino aqui os meus relatos como aluna itinerante.
Mas mantenho o BLOG pra falar um pouco mais do que passou diante do que virá.

Desejo a todos um FELIZ ANO NOVO!



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Hotspot Mata Atlântica - Uma Descoberta Pessoal

Por causa da chuva no oeste do país, na passagem para o Sul, passamos por São Paulo.
Foi muito diferente estar na cidade onde moro, Sampa, e não entrar em casa.
Nosso apartamento está alugado, então ficamos por dois dias hospedadas na casa da minha avó.

A mudança de rota apenas adiantou a nossa visita a um lugar que já estava nos planos: o PETAR - Parque Estadual Turístico Vale do Ribeira, que compreende os municípios de Eldorado, Iporanga e Apiaí, no sul do Estado, na divisa com o Paraná. Por lá muitas cavernas incríveis, caminhadas, cachoeiras e novas amizades.

Quero destacar duas coisas na nossa temporada.

A primeira foi o meu encontro inesperado com uma Cobra Jararaca filhote.

Depois de passar pela Caverna Santana, minha mãe permaneceu na boca fotografando e eu me sentei no degrau de uma escada pra descansar. A cobra tava bem atrás de mim, na altura do meu braço, e quando eu notei a sua presença já tava me mostrando a língua e tudo. Foi um momento solitário, de terror eu acho, mas logo chamei a nossa guia Mariane que tratou de encaminhar a cobra pro mato.

Nessa experiência vi meu comportamento na natureza diante de um fato como esse. Foi a primeira vez no ano e na vida que me acontece um negócio assim. Outra coisa foi que aprendi que as cobras filhotes possuem os venenos mais perigosos, por causa mesmo da idade. Ainda bem que a cobrinha não se sentiu ameaçada. Ufa!

Outro destaque foi a trilha em direção a impressionante Caverna Temimina.
Tinha chovido a noite inteira e saímos com o guia às 7:00 h da manhã.
Viajamos de Iporanga, passamos por Apiaí e deixamos o carro bem longe da entrada da caverna.
O dia continuou chuvoso até o fim, deixando a trilha bem escorregadia.
Tivemos que passar em barrancos, desmoronamentos e atravessar o rio.
Depois ainda tivemos que andar pelo rio dentro da caverna com a água quase na cintura.

Vivi, vi e aprendi muitas coisas sobre tudo nesse dia.
Foi a minha primeira trilha valendo na Mata Atlântica.
Experimentei o relevo no sobe e desce de matar.
A chuva e o barro. A flora e a fauna. A fauna, nem se fala.
Toda hora o guia Roberto falava que poderia chegar uma onça pintada a qualquer momento.
Já pensou? Que emoção!

Resumindo, não estava em sala de aula, mas  aprendi muito sobre esse BIOMA tão importante que é a Mata Atlântica. Pude experimentar na prática de uma trilha o conceito de "HOTSPOT", conceito que acabei de aprender em um trabalho que entreguei pra escola.

Hotspot é toda área prioritária para conservação, ou seja locais de alta biodiversidade ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original. No nosso grande Brasil, infelizmente, existem dois Hotspots, eles são: a Mata Atlântica e o Cerrado.

Conheço, na teoria e na prática, os dois. :)

Filhote de Jararaca
Caverna Santana - Iporanga - São Paulo
PETAR - Parque Estadual Turístico Vale do Ribeira
Foto: Cristhiane Malaquias













Caverna Temimina - Apiaí - São Paulo
PETAR - Parque Estadual Turístico Vale do Ribeira
Foto: Cristhiane Malaquias

sábado, 13 de dezembro de 2014

Fim do 4˚ Bimestre

Eu demorei um pouco mais pra escrever no Blog porque muita coisa aconteceu.
A última vez eu estava saindo da Bahia, agora eu já estou no sul do Brasil.
Não cabe em nenhum canal de comunicação, criado pela tecnologia, tudo o que eu vi e vivi.
Só cabe no meu coração e talvez em minha memória.

Apesar de todo esse deslocamento, a minha última escola ainda está na Praia da Pipa.
Acabo de finalizar todas as atividades e acabo de entregar todos os trabalhos do último bimestre.
Não perdi nada em relação à turma, e aprendi muito mais atravessando os Estados do país.

Como isso é possível? 
Duas coisas: Vontade e Tecnologia.
Comentarei sobre isso nos próximos posts.

Por hora me conecto um pouco menos, 
que é pra aproveitar a vida um pouco mais. ;)








quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O que você me faz?

O ano letivo está chegando ao fim, essa viagem terá um fim, mas a minha abertura ao mundo e à verdade não. Porque não me importa o que você me diz, o que me importa é o que você me faz.

Minha mãe sempre diz que nesse momento eu VIVO essa experiência, mas que quando terminar é que vou realmente SENTIR. E que tudo isso irá ecoar através dos anos, em cada fase da minha vida, como uma boa herança, imaterial, que foi deixada.

Eu sou criança, não entendo nada disso. Gosto mesmo é de brincar, fazer amigos e rir muito.
Mas, pelo que vejo por aí, isso também vai chegar ao fim.
Tenho medo de como vai ser o mundo.

Deixamos o Nordeste com um aperto no coração. Que região mais linda desse mundo. Quando passamos a divisa Bahia-Minas, entrando de novo no Sudeste, comecei a entender um pouco o que minha mãe tenta me dizer.

Não voltaremos mais, não dessa forma, e me abriu um buraco chamado mesmo SAUDADE.
Em um segundo pensei em toda a minha vivência.
E senti e chorei.

Eu amo Minas Gerais!
Mas soube que é o Estado onde houve o maior desmatamento nos últimos anos.
Eu vejo as serras feridas e as mineradoras trabalhando por todos os lados.
Eu vivo isso, eu sei disso, eu odeio tudo isso.

Pra mim, Minas foi o pior exemplo de Educação na minha trajetória.
Está em Minas a pior escola (São Thomé das Letras).
Está em Minas a maior mentira (Melhor Educação do País).

Como pode um Estado ser exemplo de Educação se é o campeão em Desmatamento?
Agora eu entendo o que é HIPOCRISIA.

Mas eu sou criança, não entendo de nada disso.
Será que não mesmo?

Acho que a rua é o melhor lugar pra saber da verdade.
Na rua a verdade é contada.

A rua é o lugar que me leva, por exemplo, ao Museu.
O Museu me conta sobre o passado.
A rua me mostra onde chegamos.

Onde chegamos?

Veja abaixo o link com a entrevista de Mário Mantovani,
Diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

http://revistasagarana.com.br/entrevista-mario-mantovani/



sábado, 22 de novembro de 2014

Educação Física

Durante minha viagem tive várias surpresas em relação às aulas de Educação Física.
Primeiro porque nunca tive aulas em sala de aula e também aulas teóricas.
No Colégio Sion, onde estudava em São Paulo, as aulas sempre foram em quadras.

Durante o ano, em todas as escolas, tive que fazer trabalhos escritos pra essa disciplina.
Falei sobre isso muitas coisas, e a vantagem é que pesquisei muito, como sempre faço para os posts.

Mas o melhor de tudo, melhor que ouvir o professor em sala de aula, melhor que fazer aula na quadra, foi essa aula que peguei na Vicência Castelo, em Pipa. Lá, as aulas práticas de Educação Física são feitas na praia, sob as falésias e bem em frente ao mar.

Nesse dia tivemos "introdução à yoga", com a promessa de que uma professora especializada nos dará aula mais adiante.

Bom, eu já voltei da Costa Norte e já deixei a escola rumo ao sul do Brasil.
Não participarei mais dessa maravilha de ensino (e exercício) ao ar livre.
Mas vou contar uma coisa, que experiência fantástica.
E no final, ainda teve banho de mar.

Educação Física é tudo de bom!!!

Adorei esse estilo de vida!

Aula de Educação Física - Escola Municipal Vicência Castelo
Praia da Pipa - Tibau do Sul - RN