domingo, 28 de junho de 2026

Do Espinhaço para a Itália: Meu encontro com a Juventude Mundial pelo Meio Ambiente

Meu centésimo post neste blog não poderia ser outro: é sobre levar o Espinhaço para o mundo, exatamente como, em um momento, prometi a mim mesma que faria.

Venho compartilhar algumas novidades por aqui, e a mais especial delas é que, em maio de 2026, tive a alegria de participar do 3º Fórum Mundial da Juventude MaB, que aconteceu na Itália. Agora você deve estar se perguntando: afinal, o que é MaB?

Vamos lá. MaB é a sigla para Man and the Biosphere (O Homem e a Biosfera), um programa científico internacional da UNESCO criado em 1971. Seu grande objetivo é promover o desenvolvimento sustentável e melhorar a relação entre as pessoas e o meio ambiente, equilibrando a conservação da biodiversidade com o uso econômico e social dos recursos naturais. O programa atua principalmente através da criação e gestão das Reservas da Biosfera (RB), áreas reconhecidas internacionalmente que servem como verdadeiros "laboratórios vivos" para a convivência harmoniosa entre o ser humano e a natureza.

No Brasil, temos 7 das mais de 700 RBs espalhadas pelo mundo. São elas: Mata Atlântica (a maior do planeta!), Cerrado, Caatinga, Amazônia Central, Cinturão Verde de São Paulo, Pantanal e, claro, a Serra do Espinhaço.

A Reserva da Biosfera do Espinhaço se destaca de uma forma muito singular nesse contexto. Enquanto as outras costumam se concentrar em um bioma específico, a do Espinhaço consegue abraçar três: Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. É um exemplo único da força, da diversidade e das transições que as nossas montanhas abrigam. Dentro dessas reservas, existem redes que auxiliam na gestão territorial, e uma delas é a Rede de Jovens, da qual, orgulhosamente, faço parte. Sou, pela vida e pela UNESCO, uma Jovem do Espinhaço.

Foi por isso que, junto com outras colegas do Brasil e de diversas reservas ao redor do globo, fui convidada a integrar esse fórum. Tive a oportunidade de conhecer realidades e pessoas de lugares muito diferentes, mas que, no fundo, são profundamente semelhantes. Afinal, a juventude e o meio ambiente, em qualquer lugar do mundo, enfrentam os mesmos grandes desafios.

Esta tem sido a minha luta: levar o Espinhaço para o mundo conhecer e, assim, também querer preservá-lo. O reconhecimento internacional é um passo maravilhoso, mas a ação local somos nós, dia após dia, quem fazemos.

Vou deixar aqui o link do site das Reservas da Biosfera do Brasil para que vocês deem uma olhada e descubram a sua rede local. Todo mundo pode fazer parte de uma. Enquanto isso, eu já vou organizando as malas para a próxima aventura! 😁

https://reservasdabiosfera.org.br/


Delegação Brasileira no 3º Fórum Mundial da Juventude MaB:
Maura Rodrigues, Bruna Gammauta, Gabriela Gehlen & Rafael Moreira

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

"Pasmava com esta vista!" - Pico do Itambé, 2024.

Nas férias de julho de 2024, tive a imensa alegria de voltar para Diamantina, em Minas Gerais, esse lugar tão caro ao meu coração, que sinto como lar. Mas, dessa vez, fui com um objetivo especial: subir pela primeira vez o Pico do Itambé e realizar alguns experimentos e medições climatológicas durante a trilha, para aprofundar meu aprendizado. O grande maciço azul que domina o horizonte e que tanto inspirou viajantes e naturalistas de séculos passados – como Saint-Hilaire, Langsdorff e Von Martius – estava lá, imponente e silencioso, aguardando minha aventura.

"[...] o céo se mostra retalhado por entre fendas de serranias, umas que vão às nuvens, outras mais baixas, umas vistas de perto e sobre as cabeças, negras e respeitosas; outras ao longe mostrando sua cumiada desigual, esfarrapada e toda azulada [...] Pasmava com esta vista! Mil reflexões enchiam de tumulto o meu espírito! Dizia comigo: respeitosas e soberbas montanhas, de que modo vos levantastes tanto sobre a superfície da terra?" - José Vieira Couto, em 1801.

Diamantina está a 1.113 metros de altitude. E o Itambé? Impressionantes 2.052 metros. Não é à toa que o entusiasmado escritor se deixava levar por reflexões tão profundas sobre essa paisagem. Assim como ele, também reflito, me emociono e me apaixono cada vez mais por essa terra.

Mas vamos ao ponto: decidi subir o Pico de uma vez por todas. Anos se passaram desde que o avistei pela primeira vez, formando aquela paisagem tão marcante no horizonte. Desta vez, não ficaria apenas olhando de longe. Juntei-me a alguns colegas e ao querido guia turístico Felipe, que me acompanha pelas redondezas de Diamantina há mais de 10 anos, e fomos.

No dia da subida, seguimos na valente Bandeirante do Felipe até a cidade de Santo Antônio do Itambé. E foi lá que vi o Pico mais de perto. Um gigante.

Começamos a subida e, honestamente? Achei que não ia conseguir. A trilha é desafiadora, mas minha determinação foi maior. Além disso, o fato de estar realizando um Perfil Topoclimático* durante a caminhada me ajudou. As pausas para medir os parâmetros necessários deram um alívio ao esforço físico.

Quando finalmente chegamos ao topo, a sensação era indescritível. Dormimos lá em cima, imersos no frio e vastidão das montanhas, e no dia seguinte iniciamos a descida, sempre acompanhados pela deslumbrante paisagem ao redor. Essa é mais uma dessas experiências que levo pra sempre na minha memória!

De volta a São Paulo, fui direto à faculdade devolver os materiais que havia pegado emprestado do laboratório. Também marquei uma reunião com o professor que me orientou durante a expedição para apresentar os dados que coletei. Durante a conversa, ele me deu uma sugestão inesperada:

— Em pouco mais de um mês acontecerá o XX Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, em João Pessoa, na Paraíba. Por que você não escreve um artigo e submete para avaliação? Quem sabe não é aceita e pode apresentar seu trabalho lá?

Achei a ideia uma loucura. Tinha pouco tempo e nunca havia escrito um artigo para publicação. Mas, sinceramente? Falou em viajar, eu tô dentro! Decidi aceitar o desafio. Escrevi o artigo, submeti ao Simpósio e... adivinhem? Fui aceita!

Elaborei o trabalho intitulado "Perfil Topoclimático do Pico do Itambé (Serra do Espinhaço) - Município de Santo Antônio do Itambé - Minas Gerais, Brasil: Diagnóstico Preliminar" e embarquei para João Pessoa cheia de expectativas e gratidão.

No dia da apresentação, percebi que estava usando a mesma camiseta que vesti ao subir o grande Itambé. Talvez por coincidência, senti o mesmo nervosismo daquela subida. Mas, se o Espinhaço estava comigo, quem estaria contra?

A apresentação foi um sucesso, e ali percebi como as coisas se conectaram perfeitamente. Mais uma vez entendi que estou exatamente onde deveria estar. E, como disse meu professor:

— Quem diria que essa caminhada daria um caldo bom desses, hein? 

E deu mesmo!

Deixo aqui o link para leitura do artigo já publicado e também algumas fotos tiradas pelo meu amigo João Piuzana Rosa que marcaram essa experiência inesquecível. Aproveito para expressar minha gratidão aos meus colegas de aventura, ao guia Felipe, ao Professor Emerson e ao Laboratório de Climatologia e Biogeografia da USP, que gentilmente me emprestou o material necessário durante as férias. Valeu, galera!


*Nota de rodapé:
O perfil topoclimático descreve as variações climáticas em função das características do relevo, como altitude, declividade e orientação das encostas. Ele analisa como fatores topográficos influenciam elementos climáticos, como temperatura, precipitação e circulação de ar, sendo uma ferramenta valiosa para estudos da Climatologia e planejamento ambiental.


quinta-feira, 25 de julho de 2024

"E Agora, José? Para Onde?"

Depois de quase 10 anos retorno ao Blog pois, como era previsto, todos os efeitos dessa experiência não se passaram, e nunca irão. Sou alegre com isso.

Quando fiz o último post deste Blog com a ajuda de minha mãe, eu estava prestes a fazer 12 anos, hoje estou quase com 21. Apesar de anos terem passado, anos estes muito importantes na construção dos seres que somos, toda a minha curiosidade, amor e alegria por viajar que existia na Bruna Itinerante de 2014, ainda está aqui, e pretendo ir com tudo isso até o último momento desta vida e, por isso, acho importante registrar aqui alguns marcos das coisas que aconteceram nestes últimos tempos. 

Ao final de toda esta viagem retratada no Blog, (mais uma vez) a minha mãe apareceu com uma pergunta. Daquelas perguntas dela, que nunca são simples e que de alguma forma, elas sempre têm a capacidade de mudar mais do que o que posso imaginar no momento em que a ouço. A pergunta era: "Em qual cidade do Brasil, das que a gente conheceu, você gostaria de morar por um ano?".

Ouvi isso aos 11 anos e aos 11 anos escolhi: Diamantina - Minas Gerais - Brasil. Por quê? Só o tempo foi capaz de me dar essa resposta. 

Hoje já sei qual é a resposta mas antes, por mais que amasse de fato essa cidade, me questionava honestamente: Por quê não escolhi uma cidade perto do mar? Entendi, depois, que as cachoeiras que viriam para me responder.

Nos mudamos pra Diamantina e ao invés de um ano, minha mãe morou por seis e eu ainda fiquei por mais um por conta própria, totalizando sete anos. Neste tempo conheci as pessoas mais incríveis que pude, e sou grata por todas as relações humanas e não humanas construídas nessa cidade, além disso, a paisagem me disse muita coisa, a Serra do Espinhaço conversava comigo, e amadureceu comigo. Conforme eu ia crescendo, talvez por percepção, a Serra ia se tornando maior e mais linda, imponente, forte. Me sentia segura próxima à ela. Conheci todos os cantos que pude, mesmo depois da viagem ainda tinham muitas coisas pra conhecer, e mesmo depois dos sete anos de moradia, ainda tem. Enfim, a paixão era grande e nunca foi platônica, era recíproca.

Quando começaram as demandas com relação aos vestibulares e universidades, não estava muito preocupada com isso, sabia que queria fazer mas não sabia o que queria fazer. Engraçado... Era tão óbvio o tempo todo. 

Estava distante da minha mãe mas estava feliz na Terra Dos Diamantes então pensei em ficar no meio do caminho, escolher uma Universidade que ficasse próxima de Diamantina e também de São Paulo, entretanto, desde muito cedo aprendi que o meio do caminho não funciona, ou fica no mesmo lugar ou se joga na estrada. Sempre fui mais adepta à segunda opção. Mas ainda estava confusa.

Pulei o Exame Nacional Do Ensino Médio (ENEM) por um ano e o fiz no próximo, independente de onde, o meu objetivo era ingressar em uma Universidade Pública através do Sistema de Seleção Unificada (SISU). As opções de escolhas de curso foram muitas: Jornalismo, Biologia, Psicologia, até Arquitetura cogitei. Mas desde essa viagem contida nesse Blog, meu desejo sempre foi viajar cada vez mais, e escolhi aquilo que podia me ensinar o que ver, o que buscar na paisagem, o que poderia me dizer como entender, pelo menos em parte, o Planeta Terra. Aquilo que poderia me explicar o por quê as coisas estão aonde elas estão. Escolhi a Geografia, e é possível que das várias escolhas que já fiz, essa tenha sido a melhor da minha vida.

Ingressei na Universidade de São Paulo aos 18 anos e é ali, em 2022, que a nova aventura começa! Exigindo alguns esforços como a despedida, terror de muitos e rotina de outros, me joguei na estrada mais uma vez, e agora era para novamente começar uma nova história. Confesso que cheguei sem saber o que gostaria de estudar, fui aberta aos novos conhecimentos e acontecimentos, porém, mais uma vez repito: Engraçado... Era tão óbvio o tempo todo. 

A paixão pela Serra do Espinhaço, por Diamantina e pela Geografia era e ainda é muita, eu só precisava encontrar aquilo que fizesse a conexão entre esses três. O primeiro ano na Faculdade não foi fácil, não sentia que era exatamente aquilo, e sempre precisava voltar para Diamantina para colocar as coisas no lugar. Até que um tempo depois, algumas matérias começaram a se mostrar mais interessantes e capazes de fazer essa conexão. Porém foi a Climatologia - "Ciência que desvenda os mistérios do clima, revelando padrões e tendências que moldam nosso planeta, nos proporcionando uma compreensão profunda do ambiente em que vivemos, possibilitando previsões de mudanças futuras, e conteúdo necessário para enfrentar os desafios das mudanças climáticas." - que me convenceu que eu estava no lugar certo e que eu poderia preservar aquilo que amo.

Durante minha viagem em 2014, encontrei muitas fontes de inspiração que me fizeram amar profundamente o país em que vivo. Sempre senti que tenho um propósito neste mundo e que estou exatamente onde devo estar, no momento certo. Cada escolha que fiz ao longo do caminho me trouxe até aqui, e não é possível imaginar ter tomado decisões diferentes. Como Paulo Coelho descreve, essa é a minha Lenda Pessoal. Estou aqui por causa do Espinhaço.

Essa jornada despertou em mim uma mistura de medo, alegria, ansiedade, curiosidade e, acima de tudo, amor. Retornar a este Blog após tantos anos reflete esses sentimentos. Alguns dos mistérios da vida só serão desvendados com o tempo, mas estou segura e confiante neste processo.

É bom estar de volta! 😉

Serra do Espinhaço - 2014. Foto: C. R. Malaquias

sábado, 6 de junho de 2015

Histórico, Consulta e Novos Horizontes

Pessoal, como sabem criei esse Blog pra contar sobre minha experiência em 2014 como Aluna Itinerante pelo Brasil. Foi uma experiência incrível, conheci pessoas, lugares e vivi coisas que vão ficar pra sempre na minha memória. Mas, a viagem terminou. E, sendo assim, comunico que suspendo minhas publicações neste momento.

Manterei a página por dois motivos principais:

1. Poderá ser útil como fonte de informação e pesquisa para quem quiser saber mais sobre o assunto. Consta neste histórico toda a Legislação pertinente sobre "Aluno em Situação de Itinerância", no Brasil, até 2014. Bom para pais e bom para alunos, uma vez que conto um pouco sobre meus desafios nas cinco escolas que estudei;

2. Temos novos planos de viagens... Ainda não sabemos ao certo quando e nem para onde, mas já começamos a planejar. Em virtude disso, quando chegar a hora, retomo o Blog para contar essa nova experiência. ;)

Até lá !!!











quinta-feira, 12 de março de 2015

As Férias Da Família Klink

Filhas de Amyr Klink trocam Disney por aventuras na Antártica.

Apesar da pouca idade, as filhas de Amyr Klink já possuem muitas histórias para contar. Na companhia de seus pais, Tamara, Laura e Marininha Klink já viajaram diversas vezes para Antártica.

De suas aventuras no gelo, resultou o livro Férias na Antártica, que foi lançado em 7 de agosto de 2010, durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Em entrevista ao R7, Tamara, então com 13 anos, conta detalhes  do primeiro livro das irmãs Klink e ainda fala sobre como é viajar para terras tão distantes e gélidas: "a primeira vez que viajei para a Antártica foi em 2006. A ideia foi da minha mãe, porque ela achou que seria legal se a gente fosse com meu pai também. Aí a gente gostou e, nos anos seguintes, também fomos. A gente já foi cinco vezes pra lá."

Em suas viagens para o sul extremo da Terra, Tamara ainda contou que encontra muitos animais, como focas, baleias e pinguins. Mesmo com o cenário branco formado apenas por gelo e mar, as garotas se divertem bastante. Tamara conta que costuma passear para encontrar animais, escorregar na neve e ficar dentro do barco para curtir a sua família. E pensa que ela trocaria isso pela Disney? Que nada. A primeira viagem da garota, que ainda não conhece a terra do Mickey, foi para a Antártica. "Eu até tenho vontade de conhecer a Disney, mas meu pai não apoia muito essa ideia, porque ele diz que lá as coisas não são tão reais como as que vejo nas viagens para a Antártica. Eu acho que as pessoas têm que não só viver nesse mundo de fantasia, mas também deveriam experimentar algo que envolva mais a natureza", diz Tamara.

Fonte: Livro Didático de Língua Portuguesa, BERNOULLI.

Eu concordo com a Tamara.
Felizmente minha mãe pensa da mesma forma que os pais dela.
E além de viajar pelo Brasil, continuamos fazendo escolhas nesse sentido.

Outra coisa que ela sempre me diz é que a realidade é sempre melhor que qualquer fantasia.
Porque na realidade vivemos mais próximos da experiência.
Mas têm muita gente que acredita em suas próprias fantasias.
E acaba não fazendo a sua parte, sobrecarregando os outros e prejudicando a todos.

Têm muita gente que fala de amor e tudo mais, pelos filhos, pela natureza, pelo mundo.
Mas eu não acredito em todo mundo não. Porque quem ama mesmo, cuida!
Não fala, faz!!!

Foto incrível de Marcos Amend
Antártica - Planeta Terra








quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Kerexu Mirî: Uma Amizade Inesquecível

A minha passagem pelo Rio Grande do Sul foi uma surpresa. Eu já estava de férias e foi possível conhecer e curtir o Estado como turista mesmo.

Um lugar que amei foi São Miguel das Missões, onde visitamos uma aldeia indígena e conhecemos Patrícia, Ariel e Gessica (Kerexu Mirî, no idioma guarani). Esse encontro estava marcado desde Olinda (PE), quando minha mãe em sua pesquisa conseguiu o contato dos Guaranis que também são cineastas.

Eu estava um pouco tímida no começo, quando a gente se reuniu no quintal e tomamos chimarrão. Aliás, foi com eles que aprendemos a tomar o "chima" direito, porque ninguém ainda tinha explicado que todos devem tomar na mesma cuia e com a mesma bomba.

No final da "reunião" de trabalho, sentimos que estávamos entre novos amigos. Minha mãe pediu a Patrícia e Ariel para fazer algumas fotos para registrar o encontro, e ambos sugeriram que além das que foram feitas na casa seria legal conhecermos e fazer algumas imagens à beira do rio.

Foi nesse momento que eu e Gessica ficamos amigas. Ela me deu uma pulseira linda que ela mesma tinha feito e depois pulou com tudo pra nadar no rio. Eu, como sou "menininha da cidade" e não estava de biquini, não entrei, mesmo depois de ver todos sem nenhum problema com as roupas (ou sem elas) se esbaldando no rio. Depois fomos pra uma pracinha e Gessica me ensinou a jogar xadrez.

Fiquei com a sensação que se ficasse ali por mais alguns dias iria aprender muitas coisas interessantes.

Adorei conhecer Kerexu Mirî, a indígena Guarani-Mbya que se tornou minha amiga.

Kerexu Mirî - Guarani-Mbya
São Miguel das Missões - Rio Grande do Sul

Artesanato Feito por Gessica

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

São Paulo: Secretário Municipal de Educação

Evitamos todas as Capitais dos Estados por onde passamos por um único motivo: moramos na maior Capital do país. E, segundo minha mãe, a vida nessas cidades não muda muito. Somos todos convocados a trabalhar (e estudar) o dia inteiro para manter a boa situação daqueles que nos governam. Temos desde pequenos, a infeliz missão (e seja em que localidade for) de sermos preparados para sustentar a ganância alheia.

Mas foi chegando em São Paulo que entendi o que isso significa. Por mais que haja história, museus, monumentos, cultura e recursos nessa cidade onde cresci, mais fica evidente a patologia social.

Faço questão de dar um exemplo. 

Há algum tempo atrás, vimos no noticiário que o Sr. Gabriel Chalita, então candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, foi denunciado por reformar uma cobertura no bairro de Higienópolis com dinheiro público e mão-de-obra pública, além de ser "desmascarado" como escritor, visto que foi descoberto que seus livros foram escritos por servidores. 

Humm, isso me chamou a atenção porque a tal cobertura fica na rua da minha escola em São Paulo, o Colégio Sion, onde passamos todos os dias e identificamos o prédio. E quanto aos livros, me marcou, porque era direcionado ao público infanto-juvenil.

Agora chegamos de viagem e o Sr. Gabriel Chalita é nomeado Secretário Municipal de Educação. Em uma cidade, veja bem, que minha mãe jamais teria coragem de me matricular em uma escola pública. E não apenas pela má qualidade do ensino, mas, principalmente, pela falta de segurança nas escolas.

Então, reflito, se o que falta para o Brasil e para os brasileiros é Educação, acho que que precisamos ir mais longe, avaliar melhor a situação e termos um senso mais crítico.

Porque a Educação nas escolas, sejam elas públicas ou privadas, continuam proporcionando votos questionáveis e acesso livre a políticos de índole duvidosa ao Governo das Cidades, Estados e também do País. 

Isso sim é falta de segurança!

Nesse caso, acho que a Educação Nacional, inclusive me valendo de minha experiência com os professores e diretores nas escolas por onde passei, está contribuindo para um "des-serviço" à população brasileira. Seja nos conteúdos, seja nos modelos, seja nos resultados (vide a nota 0 nas redações).

Ah, quanto ao que chamei de "patologia social", quero esclarecer que não me refiro ao Sr. Gabriel Chalita, que, aliás, não foi devidamente investigado, não foi devidamente condenado, não foi devidamente informado à população sobre a apuração dos fatos.

Refiro-me, antes, à própria sociedade, que como se estivesse viva, segue sepultada, todos os dias, para o seu trabalho escravo, com a mais antiga, tradicional e nobre das missões: a de sustentar ladrões.



























terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Férias no Sul do Brasil

Já que passei de ano e mereço umas férias boas mesmo, quero comemorar minha estada no mês de dezembro inteiro na Região Sul do Brasil.

A primeira coisa que eu fiz chegando aqui foi aprender como tomar o Chimarrão.
Gente, essa coisa é cultural mesmo, está por todos os lados.
Até em Farmácia você encontra a erva-mate.

Eu experimentei em Ametista do Sul.
Aprendi a fazer e a beber em São Miguel das Missões.
E me armei das coisas gaucheiras em Bento Gonçalves.

Agora tenho cuia, bomba, mate e tudo mais pra levar isso comigo pra sempre.
Também levo muitas histórias, sotaques e a roda do "Chima" comigo.
Seja lá pra onde eu for nesse mundo.

Oxente que trem bão tchê! 




O Ano Passou...

Venho a todos comunicar publicamente que PASSEI DE ANO.

Ai que felicidade, foram muitos desafios e muita estrada, mas superei tudo conforme o ano foi passando. Tenho muita coisa pra contar, dividir e muito mais ainda pra descobrir. 

O que posso adiantar é que, por mim, eu não voltava mais pra viver em São Paulo.
Eu nem queria parar mais de viajar.
Eu seria itinerante pra sempre.

Não sei como vai ser a vida em 2015, mas 2014 eu nunca mais vou esquecer.

Termino aqui os meus relatos como aluna itinerante.
Mas mantenho o BLOG pra falar um pouco mais do que passou diante do que virá.

Desejo a todos um FELIZ ANO NOVO!



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Hotspot Mata Atlântica - Uma Descoberta Pessoal

Por causa da chuva no oeste do país, na passagem para o Sul, passamos por São Paulo.
Foi muito diferente estar na cidade onde moro, Sampa, e não entrar em casa.
Nosso apartamento está alugado, então ficamos por dois dias hospedadas na casa da minha avó.

A mudança de rota apenas adiantou a nossa visita a um lugar que já estava nos planos: o PETAR - Parque Estadual Turístico Vale do Ribeira, que compreende os municípios de Eldorado, Iporanga e Apiaí, no sul do Estado, na divisa com o Paraná. Por lá muitas cavernas incríveis, caminhadas, cachoeiras e novas amizades.

Quero destacar duas coisas na nossa temporada.

A primeira foi o meu encontro inesperado com uma Cobra Jararaca filhote.

Depois de passar pela Caverna Santana, minha mãe permaneceu na boca fotografando e eu me sentei no degrau de uma escada pra descansar. A cobra tava bem atrás de mim, na altura do meu braço, e quando eu notei a sua presença já tava me mostrando a língua e tudo. Foi um momento solitário, de terror eu acho, mas logo chamei a nossa guia Mariane que tratou de encaminhar a cobra pro mato.

Nessa experiência vi meu comportamento na natureza diante de um fato como esse. Foi a primeira vez no ano e na vida que me acontece um negócio assim. Outra coisa foi que aprendi que as cobras filhotes possuem os venenos mais perigosos, por causa mesmo da idade. Ainda bem que a cobrinha não se sentiu ameaçada. Ufa!

Outro destaque foi a trilha em direção a impressionante Caverna Temimina.
Tinha chovido a noite inteira e saímos com o guia às 7:00 h da manhã.
Viajamos de Iporanga, passamos por Apiaí e deixamos o carro bem longe da entrada da caverna.
O dia continuou chuvoso até o fim, deixando a trilha bem escorregadia.
Tivemos que passar em barrancos, desmoronamentos e atravessar o rio.
Depois ainda tivemos que andar pelo rio dentro da caverna com a água quase na cintura.

Vivi, vi e aprendi muitas coisas sobre tudo nesse dia.
Foi a minha primeira trilha valendo na Mata Atlântica.
Experimentei o relevo no sobe e desce de matar.
A chuva e o barro. A flora e a fauna. A fauna, nem se fala.
Toda hora o guia Roberto falava que poderia chegar uma onça pintada a qualquer momento.
Já pensou? Que emoção!

Resumindo, não estava em sala de aula, mas  aprendi muito sobre esse BIOMA tão importante que é a Mata Atlântica. Pude experimentar na prática de uma trilha o conceito de "HOTSPOT", conceito que acabei de aprender em um trabalho que entreguei pra escola.

Hotspot é toda área prioritária para conservação, ou seja locais de alta biodiversidade ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original. No nosso grande Brasil, infelizmente, existem dois Hotspots, eles são: a Mata Atlântica e o Cerrado.

Conheço, na teoria e na prática, os dois. :)

Filhote de Jararaca
Caverna Santana - Iporanga - São Paulo
PETAR - Parque Estadual Turístico Vale do Ribeira
Foto: Cristhiane Malaquias













Caverna Temimina - Apiaí - São Paulo
PETAR - Parque Estadual Turístico Vale do Ribeira
Foto: Cristhiane Malaquias

sábado, 13 de dezembro de 2014

Fim do 4˚ Bimestre

Eu demorei um pouco mais pra escrever no Blog porque muita coisa aconteceu.
A última vez eu estava saindo da Bahia, agora eu já estou no sul do Brasil.
Não cabe em nenhum canal de comunicação, criado pela tecnologia, tudo o que eu vi e vivi.
Só cabe no meu coração e talvez em minha memória.

Apesar de todo esse deslocamento, a minha última escola ainda está na Praia da Pipa.
Acabo de finalizar todas as atividades e acabo de entregar todos os trabalhos do último bimestre.
Não perdi nada em relação à turma, e aprendi muito mais atravessando os Estados do país.

Como isso é possível? 
Duas coisas: Vontade e Tecnologia.
Comentarei sobre isso nos próximos posts.

Por hora me conecto um pouco menos, 
que é pra aproveitar a vida um pouco mais. ;)








quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O que você me faz?

O ano letivo está chegando ao fim, essa viagem terá um fim, mas a minha abertura ao mundo e à verdade não. Porque não me importa o que você me diz, o que me importa é o que você me faz.

Minha mãe sempre diz que nesse momento eu VIVO essa experiência, mas que quando terminar é que vou realmente SENTIR. E que tudo isso irá ecoar através dos anos, em cada fase da minha vida, como uma boa herança, imaterial, que foi deixada.

Eu sou criança, não entendo nada disso. Gosto mesmo é de brincar, fazer amigos e rir muito.
Mas, pelo que vejo por aí, isso também vai chegar ao fim.
Tenho medo de como vai ser o mundo.

Deixamos o Nordeste com um aperto no coração. Que região mais linda desse mundo. Quando passamos a divisa Bahia-Minas, entrando de novo no Sudeste, comecei a entender um pouco o que minha mãe tenta me dizer.

Não voltaremos mais, não dessa forma, e me abriu um buraco chamado mesmo SAUDADE.
Em um segundo pensei em toda a minha vivência.
E senti e chorei.

Eu amo Minas Gerais!
Mas soube que é o Estado onde houve o maior desmatamento nos últimos anos.
Eu vejo as serras feridas e as mineradoras trabalhando por todos os lados.
Eu vivo isso, eu sei disso, eu odeio tudo isso.

Pra mim, Minas foi o pior exemplo de Educação na minha trajetória.
Está em Minas a pior escola (São Thomé das Letras).
Está em Minas a maior mentira (Melhor Educação do País).

Como pode um Estado ser exemplo de Educação se é o campeão em Desmatamento?
Agora eu entendo o que é HIPOCRISIA.

Mas eu sou criança, não entendo de nada disso.
Será que não mesmo?

Acho que a rua é o melhor lugar pra saber da verdade.
Na rua a verdade é contada.

A rua é o lugar que me leva, por exemplo, ao Museu.
O Museu me conta sobre o passado.
A rua me mostra onde chegamos.

Onde chegamos?

Veja abaixo o link com a entrevista de Mário Mantovani,
Diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

http://revistasagarana.com.br/entrevista-mario-mantovani/



sábado, 22 de novembro de 2014

Educação Física

Durante minha viagem tive várias surpresas em relação às aulas de Educação Física.
Primeiro porque nunca tive aulas em sala de aula e também aulas teóricas.
No Colégio Sion, onde estudava em São Paulo, as aulas sempre foram em quadras.

Durante o ano, em todas as escolas, tive que fazer trabalhos escritos pra essa disciplina.
Falei sobre isso muitas coisas, e a vantagem é que pesquisei muito, como sempre faço para os posts.

Mas o melhor de tudo, melhor que ouvir o professor em sala de aula, melhor que fazer aula na quadra, foi essa aula que peguei na Vicência Castelo, em Pipa. Lá, as aulas práticas de Educação Física são feitas na praia, sob as falésias e bem em frente ao mar.

Nesse dia tivemos "introdução à yoga", com a promessa de que uma professora especializada nos dará aula mais adiante.

Bom, eu já voltei da Costa Norte e já deixei a escola rumo ao sul do Brasil.
Não participarei mais dessa maravilha de ensino (e exercício) ao ar livre.
Mas vou contar uma coisa, que experiência fantástica.
E no final, ainda teve banho de mar.

Educação Física é tudo de bom!!!

Adorei esse estilo de vida!

Aula de Educação Física - Escola Municipal Vicência Castelo
Praia da Pipa - Tibau do Sul - RN

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

PARNA - Parque Nacional Brasileiro

"Parques Nacionais são áreas de preservação ambiental que tem como objetivo proteger a fauna, a flora, a biodiversidade e os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e ecoturismo.

Os Parques Nacionais, assim como outras unidades de conservação federal, são geridos pelo Órgão ICMBIO - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, criado em 2007.

Eu aprendi muito durante minhas visitas, mas nesse ano não tive nenhuma aula que comentasse a respeito dessas unidades de conservação. No ano passado, estudando os tipos de vegetação, me lembro de ouvir falar do Parque Nacional de Itatiaia (RJ). E, imediatamente, desejei conhecer. Não pensei que nesse ano conheceria tantos.

Sobre a minha experiência o que tenho a dizer é muito simples:
São formados de algo que jamais um ser humano poderá realizar. 
Somente nos cabe preservar.

Mas eu também me diverti muito. Na Chapada Diamantina, por exemplo, eu subi morro, tomei banho de cachoeira, nadei em rio, em poço e achei até que era um "Parque de Diversões". No PARNA Sempre-Vivas,  eu adorei andar de 4x4 pelos Campos Rupestres, me senti em uma aventura emocionante. Em Jericoacoara foi lindo o pôr do sol, aqueles de cinema bem ali no meio do mar. Nos Lençóis Maranhenses, bonito mesmo eram as "dunas alvinhas entre as lagoas fresquinhas"*. Ubajara foi demais! Tinha um teleférico que eu fiquei com medo, mas depois você se acostuma de tão rápido; descendo do bondinho estava a gruta linda e cheia de morcegos (meu animal preferido). Sete Cidades não conheci, mas volto um dia pra ver essas rochas magníficas.

Eu não sabia que o Brasil era tão grande, tão diverso e tão lindo.
Confesso, amei realmente.
E quem ama, cuida.

E ainda vou conhecer muito mais.
Aguarde!

(*) Tribo de Jah

Parque Nacional das Sempre-Vivas
Sede: Diamantina - MG
Parque Nacional da Chapada Diamantina
Sede: Lençóis - Bahia
Parque Nacional de Jericoacoara
Sede: Jericoacoara - Ceará



Parque Nacional de Ubajara
Sede: Ubajara - Ceará


Parque Nacional de Sete Cidades
Sede: Piracuruca - Piauí

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
Sede: Barreirinhas - Maranhão

sábado, 15 de novembro de 2014

domingo, 9 de novembro de 2014

Biodiversidade: Vida e Morte

Entre as muitas disciplinas novas e conteúdos que estudei em sala de aula e também fora dela, está a Biodiversidade. O que mais gosto sobre esse assunto, é saber que se trata de Vida; ou seja, a Biodiversidade é a diversidade da natureza viva.

Escuto isso o tempo todo. Muitas pessoas estão preocupadas com os animais na lista de extinção, com os espaços naturais invadidos pelas cidades, com os maus tratos em geral, com as mudanças climáticas, a seca, os incêndios, as enchentes, onde os primeiros que morrem sem chance de se recompor são os animais.

Mas vou falar uma coisa pra vocês, eu vejo animais mortos todos os dias pelas estradas do Brasil, e essa foi uma das coisas mais difíceis da viagem toda!

É chocante viajar e ver o tempo todo (o tempo todo mesmo!) cães, gatos, cabras, jegues, cavalos, raposas e toda sorte de espécies ao lado das rodovias, senão já mortos, em situação de risco.

E vejo e fico sabendo de animais mortos, torturados e explorados por todos os lugares que passo.

Isso, quem faz, é o próprio ser humano. 

A pessoa "simples" que olha essas vidas como objetos.
A pessoa "simples" que trata cada um deles como lixo.
A pessoa "simples" que os usa até as tripas. Usa, descuida, abandona.
A pessoa "simples" que, sem nenhum cuidado, dirige em alta velocidade pelas rodovias.
A pessoa "simples" que todo dia, o tempo todo, pratica essa miséria. Em sua vida!

Enquanto todo mundo se preocupa com as grandes catástrofes e com os grandes culpados, todos os dias diversos animais sofrem todo o tipo de desgraça praticada por pessoas ditas "de bem". Trabalhadores, mães e pais de família. 

Toda sociedade sabe falar e se propõe a ensinar sobre a biodiversidade e sobre a Vida.
Mas que tipo de sociedade pode nos explicar, nos falar e ensinar sobre a Morte?

Porque viver quase todo mundo sabe,
e me parece que matar também...

Golfinho morto esquartejado

Peixe-boi morto com um tiro na cabeça

Preguiça morta atropelada
Jegue morto atropelado
Tartaruga Marinha morta intoxicada 



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Conhecimento e Memória - Costa Norte do Brasil

Como disse em meu post anterior, enquanto viajo de Pipa (RN) para a Região Norte, conheço, experimento e estudo sobre a Costa Norte Brasileira.

O Brasil é banhado pelo Oceano Atlântico, desde o cabo Orange até o arroio Chuí, numa extensão de 7.408 km que aumenta para 9.198 km se consideramos as saliências e as reentrâncias do litoral, ao longo do litoral se alternam praias, falésias, dunas, mangues, recifes, baías, restingas e outras formações menores.

Geofisicamente o litoral nordeste é formado pela junção da costa norte com a costa leste. Portanto é o único dos litorais do Brasil que possui metade da costa norte e metade da costa leste, com mais de 3 mil km de extensão.

Esse país é muito grande mesmo. Essas "reentrâncias" são estuários, braços de mar, igarapés e muitos outros pedacinhos que se formam com o encontro da terra com o mar, por onde temos navegado e acessado de várias formas.

Tenho visto tudo com meus olhos, vivido tudo com meu corpo e guardado tudo em minha alma.
Tudo já é Conhecimento e tudo vai virando Memória.

Neste momento não estou em sala de aula,
mas a Geografia já faz tempo que está em mim.

Elementos da Costa Norte do Brasil
Ceará, Piauí e Maranhão


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Quando a Competência faz a Diferença

Se os candidatos não foram muito competentes em seus discursos e se a Presidenta Dilma não é muito competente em seu trabalho, eu realmente não sei. O que sei é que as demandas do meu dia-a-dia, como o próprio termo já diz, acontece agora, não dá pra esperar todo mundo se acomodar em suas mesas e decidir o meu presente ou o meu futuro de tão longe.

Há uma Resolução, mas não há normas para o atendimento do aluno itinerante em território nacional. Por conta disso, ficamos à mercê de profissionais interessados ou não, competentes ou não.

 O que sei realmente é que a competência da equipe Escola Vicência Castelo, na Praia da Pipa, está fazendo uma grande diferença em nossa vida.

Esclarecendo um pouco a questão, digo que permaneço matriculada na escola enquanto viajo por alguns dias pela costa norte do país. Saí de Pipa com uma orientação de estudos completa, de todas as matérias, com atividades, estudos e até uma entrevista pra ser realizada em minha ausência na cadeira do prédio. Sim, porque não estou fisicamente, mas continuo estudando durante este processo. Quando retornar, farei todas as avaliações perdidas no período. É como viajar e voltar, como faz qualquer aluno comum. 

Perdemos muito tempo em Minas Gerais, no primeiro semestre, porque não pensamos (e nem fomos orientadas) quanto a essa possibilidade. Tivemos que permanecer em São Thomé das Letras (a pior escola até agora) até terminar o primeiro bimestre; e depois tivemos que permanecer em Ouro Preto (a hospedagem mais cara até agora) para finalizar o segundo bimestre.

Nos dois casos era preciso nos ausentar da cidade pra localidades próximas. De São Thomé fomos para Tiradentes e São João Del-Rei por cerca de 15 dias. A única coisa que a diretora disse foi "Boa Viagem". Quando voltei pra fazer as avaliações, a professora de matemática ainda nem sabia da minha condição de ausente, e se negou a me dar as avaliações perdidas no período (*). Em Ouro Preto, a diretora foi informada que precisaríamos viajar por 10 dias, sendo solicitado que fosse feito um planejamento com minha mãe pra não ocorrer no período de avaliações... A diretora desapareceu, e quando minha mãe informou que viajaríamos, fui eu que apresentei as datas das provas na mesma semana. Resultado, tivemos que permanecer por 41 dias presas na cidade. Um terror!!!

(*) Este fato, entre outras ocorrências nessa escola, será denunciado à Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais.

Tudo isso pra que eu não perdesse matéria e não corresse risco de ser prejudicada nas avaliações de fechamento dos bimestres. Mas tudo isso atrapalhou muito, prejudicando nosso avanço pelas outras regiões, sobretudo a Região Norte.

Diante desse cenário, tivemos que encurtar nossa passagem do Rio Grande do Norte em diante; justamente o trecho mais difícil no que diz respeito a estradas, características e acesso em todos os sentidos. Muitas vezes temos que deixar o carro e seguir com outro veículo, devido a areia, aos rios e etc... Também o calor aumenta a cada Estado (e como faz calor!!!) complicando todo o trabalho, principalmente o fotográfico.

Nesta fase, não ficamos mais de três ou quatro dias nas localidades, a maior parte do dia estamos nos locomovendo com carros e/ou veículos apropriados ao trabalho da minha mãe, atrás de mangues, pássaros, animais e plantas de diversas espécies, se tornando inviável passar pelas escolas (na maioria dos lugares nem há escolas).

Se não fosse o constante acompanhamento da Escola Vicência Castelo e o esclarecimento de nossas possibilidades nessa condição de itinerância, tudo seria mais tenso e muito diferente nesse momento.

É por isso que digo que não basta apenas chegar na escola e fazer o seu "trabalho". Neste caso, o trabalho de estar presente. É preciso olhar com mais atenção às necessidades de cada aluno, itinerante ou não, procurando, na medida das possibilidades de nossa Legislação e da vontade de cada um, atender a todos. 

Ao contrário do que QUASE todo mundo pensa, nós alunos não somos uma massa, onde respostas padronizadas e sem reflexão podem ser dadas de forma indiscriminada. Somos educandos, cidadãos, temos direitos assegurados, seja dentro do padrão estabelecido, seja fora dele.

A maioria das pessoas aceitam, mas também nesse ponto minha mãe e eu somos diferentes.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

15/10 - Dia do Professor

Minha homenagem aos Professores que fazem diferença em nossas vidas.
Porque não basta estar em sala de aula ou passar o conteúdo obrigatório, é preciso mais do que isso. É preciso abrir caminhos.